Foram empossados em outubro de 2002, durante seminário promovido
pela Plataforma DhESC Brasil, os primeiros relatores nacionais em
direitos humanos econômicos, sociais e culturais (DhESC). Embora
a experiência seja francamente inspirada nos relatores especiais
das Nações Unidas, o Brasil é o primeiro país
a se valer desse tipo de monitoramento para avançar na implementação
dos direitos humanos. Para tanto, a iniciativa da Plataforma Brasileira
de Direitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais - DhESC
Brasil - é realizda em cooperação com o Programa
UNV, a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e a Fundação
Heinrich Boell.
O Projeto Relatores Nacionais em Direitos Humanos Econômicos,
Sociais e Culturais tem como objetivo contribuir para que o Brasil
venha a adotar um padrão de pleno respeito aos direitos humanos
econômicos, sociais e culturais, com base nos compromissos
constantes, no plano nacional, da Constituição Federal
e do Programa Nacional de Direitos Humanos e, no plano internacional,
dos tratados internacionais de proteção dos direitos
humanos ratificados pelo país, em particular o Pacto Internacional
de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.
Atuarão como relatores nacionais em DhESC, durante o primeiro
ano do projeto, os seguintes especialistas, recentemente nomeados:
Lucila Beato (direito ao trabalho), Sérgio Haddad (direito
à educação), Flávio Valente (direito
à alimentação), Jean Pierre Leroy (direito
ao meio ambiente), Nelson Saule Jr. (direito à moradia) e
Eleonora Menicucci (direito à saúde). Eles são
especialistas em direitos humanos econômicos, sociais e culturais,
aos quais foi confiada a tarefa de receber denúncias de violação
a essa categoria de direitos e realizar missões de investigação,
aos estados brasileiros, na perspectiva de apresentar soluções
para os problemas encontrados. Como base nas denúncias recebidas
e nas missões realizadas, os relatores nacionais vão
elaborar relatórios analíticos e propositivos sobre
a realidade encontrada, a serem apresentados anualmente nas Conferências
Nacionais em de Direitos Humanos, realizadas no mês de maio
em Brasília, e ao Conselho dos Direitos da Pessoa Humana.
Os assessores dos Relatores serão UNVs nacionais, que acompanham
os Relatores nas missões, preparam e executam entrevistas
e relatórios e servem como pontos focais nas respectivas
áreas.
O trabalho de pesquisa e levantamento de soluções
dos relatores nacionais deverá levar em consideração
diversos elementos considerados, modernamente, importantes na validação
dos direitos humanos, como gênero, etnia/raça, idade
e região. Seu trabalho será desenvolvido com base
num mandato de um ano, renovável a depender da necessidade
de continuidade do trabalho. O mandato dos Relatores Nacionais será
definido em instrumento constitutivo do mandato, denominado Termo
de Referência de Mandato, que deverá conter, entre
outras, as seguintes definições: a) justificativa
para a criação do mandato; b) período de vigência
do mandato; c) poderes conferidos ao mandatário; d) definição
do direito ao qual o mandato se refere.
Com essa iniciativa, a Plataforma DhESC Brasil - coordenada pela
FASE, GAJOP, MNDH, CJG, Comissão de Justiça e Paz
de São Paulo e FIAN-Brasil - dá um passo além
para que a exigibilidade prática dos direitos humanos econômicos,
sociais e culturais seja uma realidade no nosso país.
A Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais
e Culturais - DhESC Brasil - constitui-se como seção
nacional da Plataforma Interamericana de Direitos Humanos, Democracia
e Desenvolvimento (PIDHDD). Fundada em novembro do ano 2000 por
um conjunto de instituições que lidam com a temática
dos direitos humanos em suas mais diversas vertentes, a DhESC Brasil
propõe-se a estabelecer um amplo debate sobre a indivisibilidade
e universalidade dos direitos humanos. Assim, o acréscimo
da palavra "humanos" à sigla DESC (direitos econômicos,
sociais e culturais) é o mais visível símbolo
do compromisso político da Plataforma com a luta por todos
os direitos de todos os seres humanos.